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19 September 2008 @ 01:33 am
[Fic] Lovely Complex - 30cookies  
Toda a fluffeza (?) do meu ser sai em forma de HaruSei. Não consigo impedir!!!!! *bate com a cabeça no teclado*
E, cara, escrever com o Haruka é muito legal. De verdade. Todo mundo deveria tentar algum dia...

Título: Todo cruzamento tem duas saídas
Fandom: Lovely Complex
Personagens: Haruka e Seiko
Gênero: Romance puro e inocente 3, a volta dos que não foram 
Classificação: Livre
Avisos: Yaoi?, Haruka-ness (=D)
Sinopse: A menor distância entre dois pontos é uma reta, mas a gente aprende mais no meio dos labirintos, certo? [Haruka's POV - logo, usei tudo no feminino ao me referir ao Seiko]

Todo cruzamento tem duas saídas

 

    “A menor distância entre dois pontos é uma reta”.
 

    Seiko virou-se para mim surpresa, aqueles olhos excessivamente azuis encarando sem hesitação os meus como se houvesse algo neles a ser lido e compreendido. O que não havia, era verdade. Eu sou superficial o suficiente para não adicionar subtextos em minhas manifestações.
 

    E, veja bem, encaro isso como uma qualidade.
 

    “Você bateu a cabeça hoje de manhã, senpai?” Ela me perguntou, enfim, após a certamente infrutífera busca, muito delicada e amorosa como sempre era.
 

    Seiko costumava ser tão direta como eu, e por saber disso eu não perdia meu tempo procurando significados profundos em suas falas.
 

    “He”. Dei um sorriso, cutucando-a na altura das costelas, onde sabia perfeitamente bem que ela morria de cócegas. Seiko deu um salto em resposta. “Estou falando de você aí, dando voltas em frente à quadra de basquete ao invés de ir logo falar com o anão de jardim”.
 

    “Otani-senpai não é um anão de jardim”. 
 

    Ela se sentiu ofendida. Sem motivos, devemos encarar, porque a ofensa ainda não havia sido para sua própria pessoa. Existia uma convenção, provavelmente assinada num universo paralelo o qual eu não estava presente, que parecia obrigar os seres viventes a defenderem Otani. Porque o rapaz não era isso tudo para promover tanta comoção...
 

    Primeiro, ele era baixo.
 

    Segundo, ele era muito baixo mesmo.
 

    Terceiro, ele era tão baixo, mas tão baixo, que acho que poderia pisoteá-lo sem querer se parasse de prestar atenção por onde andava (o que é uma técnica que certamente preciso tentar algum dia).
 

    “E o que você quer com ele, Seiko-chi?” Perguntei, mais a título de curiosidade. “Seqüestrá-lo, amarrá-lo numa cadeira e mantê-lo preso até que se torne perdidamente apaixonado por você?”
 

    Seiko não fez muita questão de disfarçar o desgosto com a minha pergunta. Sem motivos, devemos encarar mais uma vez, porque era uma sugestão realmente genial de minha parte. Eu havia considerado fazê-lo com Risa num futuro próximo.
 

    “Eu... Não sei”. Ela respondeu, enfim, e joguem contra mim se isso não era muito mais ilógico que minhas idéias. “Às vezes eu queria entrar, sentar na arquibancada e acenar para ele durante o treino. Como aquelas garotas do fã-clube de basquete. Como antes... Só ter alguma pequena chance que fosse”.
 

    Eu bufei, mas não era porque estava fazendo pouco caso do melodrama da vida de Seiko – talvez só um pouco – e sim porque não via cabimento em toda aquela crise existencial isolada quando havia todo um mundo do lado de fora esperando para entregar-lhe conhecimento e amadurecimento.
 

    Filosofia minha, é claro. Estava treinando para a futuro auto-biografia, contando meu feliz sucesso em detrimento ao jovem tirano que quis a todo custo e formas ilícitas destruir a fonte de minha felicidade, tirando-a de mim por inomináveis meios cruéis de óbvia hipnose e poções de amor.
 

    “Bem, a menor distância entre dois pontos é uma reta, mas a gente aprende mais no meio dos labirintos, certo?”
 

    Eu achei uma frase de extrema profundidade psicológica e literária, mas Seiko franziu a testa e encarou-me como se houvesse nascido uma cabeça extra no meu pescoço.
 

    “Para você, senpai, basicamente tudo será resolvido se eu arranjar nove namorados”.
 

    “É uma excelente atitude, mas não foi necessariamente o que eu quis dizer”. Comentei, dando de ombros. Seiko estava realmente prestando atenção no que eu falava e isso era algo extremamente raro... “Ás vezes, no meio das curvas você pode chegar à conclusão de que a reta final nem valia tanto a pena assim”.
 

    Então, pasmado, vi Seiko cruzar os braços contra o peito e...
 

    Concordar!
 

    “Talvez você tenha razão, senpai”. Ela suspirou, certamente mal acreditando em si mesma por ter alcançado a genialidade de minha sabedoria. “Talvez”.
 

    Seiko nunca consegue ser alguém agradável por muito tempo.
 

    “Eu sabia”. Cantarolei, abraçando-a de trás pelos ombros. Ela sempre é bem macia e confortável de se abraçar – não que eu tenha analisado isso em algum momento. “Seiko-chi me idolatra, Seiko-chi me ama, Seiko-chi me queeer”¹.
 

    Ela revirou os olhos, como sempre, porque eu pude sentir tamanha a profundidade da questão que ela fez em ignorar-me. Minha avó, no entanto, dizia que quem cala consente.
 

    “Lamento partir seu coração”, dei meu suspiro dramático, próximo a seu ouvido, e ela tremeu uns dois segundos. Chame-me de irresistível. “mas nós podemos continuar sendo amigos”.
 

    Então ela empurrou meus braços e eu meio que deixei sair um som um tanto quanto estranho, gutural e com vida própria de descontentamento. Só meio. Só porque ela estava morna, o dia estava frio e sabem como são essas reações biológicas animalescas sem comprometimento racional.
 

    “Agradeço a oferta, mas acho que vou passar essa, senpai”. Ela comentou, ríspida, e eu realmente não entendi a contradição do sorriso adorável que me dispensou antes de finalmente entrar na quadra e me deixar ali parado, sozinho, fazendo um belo papel de poste de luz.
 

    As reações biológicas animalescas sem comprometimento racional fizeram meu coração pular mais rápido uma batida.
 

    Então eu considerei se talvez – talvez – as curvas do meu próprio labirinto não estivessem me levando para um final diferente há muito tempo e eu estava seguindo, feito um idiota, ainda de olhos vendados.


xxx

1- Desnecessário comentar que eu tive muita vontade de deixar só dois 'e's e fazer um trocadilho com queer, né? HAHAHAHA
 
 
 
Current Mood: awake
 
 
 
 

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